VegAM: da pesquisa ao produto
Como pessoas vegetarianas encontravam onde comer em Manaus — e o aplicativo que nasceu dessa investigação
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Protótipo original do VegAM: lista de restaurantes e opções vegetarianas.
Uma busca espalhada entre Google, redes sociais e indicações virou um produto pesquisado, estruturado e testado em protótipo — com fluxos para quem procura uma refeição e para quem a oferece.
No trabalho de conclusão da graduação em Design na FUCAPI, orientado pela professora Neila Pinto, investiguei como pessoas vegetarianas encontravam opções para comer fora em Manaus. A pergunta de projeto era simples: como facilitar essa busca para quem não come carne?
A resposta foi o VegAM, um protótipo de aplicativo que reúne restaurantes, pratos e informações sobre vegetarianismo em um só lugar, e que convida clientes e estabelecimentos a manter esse repertório atualizado. O projeto foi até a etapa de interface e protótipo navegável; o aplicativo não chegou a ser desenvolvido.
- ~110
- respostas ao questionário, 59% de pessoas vegetarianas
- 62,9%
- das pessoas vegetarianas apontaram comer fora como a maior dificuldade
- 82,6%
- gastavam 30 minutos ou mais procurando uma opção*
- 65,2%
- consultavam de 3 a 4 plataformas a cada busca*
Comer fora exigia uma investigação
Manaus tinha poucos restaurantes vegetarianos, mas um número razoável de lugares com opções sem carne — só que essas opções quase nunca estavam divulgadas. Quem procurava pulava entre Google, Instagram, Facebook e aplicativos de delivery, e muitas vezes desistia de sair ou comia antes, por precaução.
Em uma das sessões de observação, uma participante passou seis minutos indo do Google ao TripAdvisor e ao Facebook atrás do cardápio de um restaurante e desistiu sem encontrá-lo. Outra pessoa entrevistada resumiu: os aplicativos de comida e de avaliação não classificavam pratos como vegetarianos, e por isso a busca ficava mais lenta.
“O problema não era a falta de comida vegetariana na cidade. Era a falta de informação sobre ela.”
Números para dimensionar, observação para entender
Combinei abordagens quantitativas e qualitativas. Um questionário online com cerca de 110 pessoas, vegetarianas e não vegetarianas, mapeou hábitos e ferramentas de busca. Entrevistas semiestruturadas com observação acompanharam pessoas procurando comida no próprio celular, com tarefas cronometradas. Fiz também o mapeamento em campo dos estabelecimentos com opções vegetarianas e a análise de aplicativos similares, como HappyCow, Be Veg, Mealtless e SP Veg.
* Os números de tempo de busca e de plataformas consultadas vêm de um recorte de 23 respostas às perguntas sobre busca, separado do questionário completo.

De dados soltos a critérios de projeto
Os achados viraram cartões de insight e, deles, critérios norteadores que guiaram todas as decisões seguintes. Três personas representaram os perfis centrais: Mari, vegetariana estrita que vive procurando lugares novos; Ruan, sem restrições, que come com amigos vegetarianos; e Amanda, dona de um restaurante que já tinha opções vegetarianas, mas nenhum canal para divulgá-las.
- Reduzir o tempo de busca por opções vegetarianas
- Reunir as opções da cidade em um só lugar
- Usar a proximidade como critério de escolha
- Atrair pelo visual da comida, como já fazia o Instagram
- Deixar clientes e estabelecimentos contribuírem com informação

Organizar a informação com quem iria usá-la
Fiz uma sessão de card sorting com uma dona de restaurante, uma pessoa vegetariana e uma não vegetariana. Os agrupamentos levaram a uma decisão estrutural: dois perfis com fluxos próprios. O perfil pessoal encontra, avalia e salva opções; o perfil comercial cadastra o estabelecimento e as próprias opções vegetarianas, classificadas por categoria.


Arraste para o lado para ver o diagrama inteiro.
Decisões pensadas para a pressa de quem está com fome
Os wireframes foram testados com o caso de uso principal — encontrar um prato, ver os ingredientes e compartilhar com amigos — antes de qualquer acabamento visual. Daí saíram as decisões que foram para o protótipo.
- Abas “Restaurantes” e “Comidas”: buscar pelo lugar ou pelo prato
- Lista separada entre abertos e fechados, porque a pergunta real é “onde como agora?”
- Selos para vegetariano estrito, ovolacto, lacto e ovovegetariano
- Ingredientes visíveis em cada prato
- Sugestão de lugares por clientes e cadastro de pratos por estabelecimentos

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Da descoberta à contribuição
O fluxo conecta quem procura uma refeição com quem conhece ou oferece uma opção vegetariana.

Encontrar
Busca de lugares por proximidade e disponibilidade.

Escolher
Ingredientes, categoria e ação para salvar ou compartilhar.

Contribuir
Cadastro feito por estabelecimentos para manter o guia atualizado.
Uma folha que também é um mapa
O nome junta “Veg”, de vegetariano, à sigla do Amazonas e soa como “vegan”. O símbolo parte do pin de localização e o desenha como uma folha, cujas nervuras lembram as ramificações de um mapa. Roxo e amarelo, complementares, garantem contraste; vermelho e verde completam a paleta do aplicativo.

O protótipo na mão das pessoas
O protótipo navegável foi testado repetindo a simulação feita na pesquisa: as mesmas tarefas, agora com o VegAM. O TCC registra que o tempo para encontrar opções caiu bastante em relação à busca sem o aplicativo, mas não traz os tempos comparados nem o tamanho da amostra — por isso apresento esse resultado sem quantificar o ganho. Um participante disse que ter a lista de todos os lugares com opções vegetarianas o ajudou a decidir muito mais rápido do que pesquisando no Google, como costumava fazer.

A interface saiu da tela e foi para a mão das pessoas.
O protótipo navegável foi testado em celular, com as mesmas tarefas cronometradas da pesquisa.
O que eu mudaria com o que aprendi depois
O VegAM é de 2017, antes dos meus anos em produto e Design Systems. Revisitá-lo é um bom exercício de crítica.
- Medir o teste de verdade: tarefas iguais, amostra definida e tempos registrados com e sem o app
- Tratar o cardápio como dado estruturado — o centro do problema era informação, não tela
- Rever o contraste de amarelo sobre branco e criar tokens e componentes desde o início
- Desenhar incentivos para que os estabelecimentos mantivessem o conteúdo atualizado
- Avaliar se o filtro vegetariano não funcionaria melhor dentro de plataformas que as pessoas já usam